Sou Danielle, libriana, signo do ar. Amo a liberdade, as conversas descontraídas, a diplomacia dos encontros, a delicadeza de ponderar e, sobretudo, a incessante busca pelo belo.
Nasci na década de 80 e cresci ouvindo o coser da máquina de costura de pedal; vendo mãos habilidosas formarem pontos pipoca em crochê, criando formas e afetos; sentindo o perfume suave da lavanda; desfrutando das melodias de um dedilhar no violão, do som de um belo vinil na vitrola e me aventurando em textos digitados na velha máquina de escrever. Foi nesse universo sensível e pulsante que me formei, numa geração que sonhava desbravar o mundo, desejava liberdade e, ao mesmo tempo, buscava raízes.
Em 2004 concluí minha primeira formação e iniciei minha jornada no serviço público. Ali, entre rotinas e encontros, construí caminhos e cultivei amizades. Sempre com espírito inquieto e em busca de novos conhecimentos, a moda foi se desvelando sutilmente em minha vida, primeiro como hobby, depois como linguagem.
Durante essa formação fui tomada por um universo criativo que me ensinou a narrar sem palavras. Cada escolha, cada tecido, cada forma e textura passou a contar uma parte de mim. Em 2025, permiti-me viver essa narrativa, fazer essa travessia, traçar meu tempo: revisitei minha história, revi minhas memórias e, delas, fiz curadoria.
Anthologie nasce desse lugar: um território de lembranças, viagens, devaneios e afetos. Um espaço onde o sentir se transforma em matéria, onde cada criação é também narrativa, gesto e memória. Se um dia, em meus sonhos de infância, sonhei ser escritora, hoje escrevo com outros códigos: escrevo no vestir.
Em cada peça, uma segunda pele. Em cada detalhe, uma tentativa de dizer o indizível. O vestir, para mim, é descobrir-se; é uma travessia constante, um texto com significado e sentimento que deseja transpor para além de si.